quarta-feira, julho 04, 2007

A praga

Como sou daqueles raros espécimes que deixam sempre para amanhã o que não lhes apetece fazer hoje, corro agora a mata-cavalos para acabar um trabalho que já devia ter acabado. Mas ontem ofereci a mim próprio uma horita de respiração. Ao passar pela zona do Jardim do Tabaco, rumei a uma esplanada frente ao Tejo para ler umas coisas vagas.

O Tejo lá estava, glorioso; as coisas levava-as eu. A cerveja estava boa de temperatura. Mas nada neste mundo é perfeito: a paz idealizada era meticulosamente esmagada por dois poderosos altifalantes debitando torrentes de hip-hop.

Não aguentei mais que vinte minutos. Só queria ouvir-me a mim e ao Tejo, que diabo!
Esta gente tem horror ao silêncio. Será porque cada vez se suporta menos a si própria?

6 comentários:

Shyznogud disse...

quiçá...

Mazinha disse...

e aquelas pessoas que dizem "não gosto nada de estar sozinha, não suporto a solidão"??? se elas não têm paciência para se aturarem a elas próprias, porque é que eu tenho de ter???

e confundir estar sozinha no autocarro com solidão é.. é... grrrr

péssima disse...

não sabes k a bica do sapato é para os tios e tias e para os filhos deles? não eh definitivamente esse o teu/meu jardim.

Mouro da Lapa disse...

Não sei qual é o teu jardim, mas nem sequer falei da Bica do Sapato.

Mouro da Lapa disse...

E além disso eu sou tio. Senão, seria o Mouro de Santo António dos Cavaleiros, ou coisa assim.

FuckItAll disse...

Olha, era um título com mais dignidade, mete santos e cavaleiros, fica sempre bem, sobretudo com mouros à mistura.

Eu, que vivo com cravings de solidão, nunca perceberei essas pessoas, mazinha.