sábado, junho 16, 2007

sexta-feira, junho 15, 2007

Desânimo

Dizem-me que boa parte dos incautos que visitam este vosso blog são brasileiros em busca de bonecas insufláveis.
O que se passa na mente deles sei eu, ou julgo ter uma ideia. Mas que mistérios insondáveis, que afinidades electivas, que obscuras conexões, que raio se passará na mente cibernética dos chamados motores de busca?
Como é que eu e as minhas preclaras co-bloggers podemos ser tomados por insufláveis - já para não falar nas bonecas? Nós, que temos uma weltanschauung poderosa e iluminada, que estamos atentos ao zeitgeist - eu particularmente, que estou agora desesperadamente à procura de outra palavra alemã para pôr aqui e não a encontro -, nenhum de nós merecia isto do Google.
Tenho dito.

quinta-feira, junho 14, 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

Gay Bomb e outros delírios...

Aqui está um artigo com uma lista de armas estapafúrdias que o Exército Norte Americano tomou em consideração.

Mas não há dúvida que a ideia de tornar o inimigo num bando de homossexuais mais interessado em saltar para a espinha do colega do que defender o seu país é, no mínimo, hilariante...

ah ah ah ah

Mais engraçado que o Bush ser roubado num "banho de multidão" só mesmo a negação da Casa Branca.

Não é suposto este gajo ser dos mais protegidos do mundo????

segunda-feira, junho 11, 2007

Dildos & Companhia


Nem de propósito. Ainda ontem estive a debater com um amigo o futuro do comércio tradicional, as novas tendências de consumo e outros temas caros a quem passa a vida a pagar impostos e agora dou de caras com um nicho de mercado que nunca me passaria pela cabeça (vai daí, não admira que seja uma tesa…)

A coisa funciona a partir de um pressuposto simples: para quê gastar dinheiro em sex toys que não sabemos se serão do nosso agrado? A vida está cara, carago! Mais vale alugar os ditos e prontos, ir variando, que nestas coisas, já se sabe, a novidade é a alma da coisa.

É assim a modos que uma biblioteca mas onde se paga para utilizar o material

domingo, junho 10, 2007

Portugal no seu melhor.

Aí há uma quinzena, o termómetro público a meio da av. Fontes Pereira de Melo marcava 3 graus negativos. A minha pele dizia-me que não era verdade, e o termómetro do carro acrescentava precisão a esta ideia, mostrando que estavam 25 positivos - o que era perfeitamente natural em Maio.
Há dias, estavam 32 graus, e desci a mesma avenida. Um relance ao mesmo termómetro público: marcava 1 grau positivo. É a imagem de Portugal: não está parado, acompanha a evolução das coisas, mas com uma certa décalage.

Por razões passionais, tenho ido várias vezes a Santa Apolónia, esperar o último "Alfa", que chega lá para perto da meia-noite. A essa hora, já ninguém anuncia as chegadas na instalação sonora, nem nos placards se informa a respectiva linha. Quem quiser que adivinhe. Àquela hora, o sistema (homens e máquinas) cansou-se. Quase nos sentimos intrusos na gare, que aparenta só estar aberta porque há um estupor de um comboio do Porto que tem que chegar a algum lado.

Contaram-me há dias o caso de um oficial durante a guerra em Angola, cuja unidade caíu numa emboscada. Após mais de meia hora de fogo intenso, ele olhou para o relógio e disse:
"Cinco da tarde. O Salazar não me paga horas extraordinárias." E mandou alto ao fogo, amochando debaixo de uma camioneta. Os guerrilheiros, julgando talvez tratar-se de uma armadilha, retiraram.

Sei lá, às vezes há males que vêm por bem (digo eu para não me desesperar muito).

sábado, junho 09, 2007

O autocarro, retrato social ao vivo e a cores

As viagens de autocarro são, como toda a gente sabe, ( ou pelo menos aqueles que de nós não são automobilizados ) alucinantes, creio mesmo que podemos inscrever novas pérolas na sabedoria popular.

Aqui e ali ouvem-se umas frases que nos despertam daquele torpor e conseguem arrancar-nos um belo sorriso interior:

A senhora vira-se para o condutor e pergunta-lhe:

- O Senhor dá-me um jeitinho pela frente?

É claro que esta interrogação suscitaria uma série de respostas interessantes, mas é óbvio que estamos perante gente que se entende tacitamente.

Vai daí o condutor responde-lhe pacificamente, e de forma voluntária e conivente, abre amavelmente, a porta da frente para que a senhora possa sair.

sexta-feira, junho 08, 2007

A tragédia, o horror, o drama...

Derivado à minha pouca tolerância à lactose, comi três colheres de um iogurte de soja.
Definitivamente, não sou gaja para estas coisas radicais.

quarta-feira, junho 06, 2007

Convite

Vem comigo por Lisboa, ver os jacarandás em flor.

segunda-feira, junho 04, 2007

A imagem do século


Não se sabia, e parece que continua sem se saber, quem era este homem, ou o que andava por ali a fazer. Aparentemente, naquele Junho de 1989 em Pequim, seguia na sua vidinha quotidiana e anónima, carregando dois sacos, possivelmente com compras no supermercado.

E, subitamente, este ser anónimo encontrou-se com a História que rolava pelas ruas. Então, saltou para a frente dela. Sozinho. Armado com dois sacos e o seu corpo, mas sobretudo com a vontade de não arredar pé perante uma violência intolerável. E ali ficou, parado, mostrando como 60 ou 70 quilos de carne e sangue podem enfrentar centenas de toneladas de aço e fogo.

Conheço poucas imagens tão comoventes como esta, tirada no ano em que o século XX realmente terminava - o século mais violento de sempre, o século dos grandes confrontos entre a liberdade e a brutalidade cega do poder e das ideologias, entre a dignidade humana e opressão das grandes máquinas industriais e políticas. O século dos sonhos pervertidos e das ilusões perdidas - mas também o de uma certa afirmação moral perante a barbárie e a desumanização. Que é o que este homem está a fazer.

O século XX que ainda é o de todos nós foi o século da imagem, e há-as, poderosas - as matanças da I Guerra Mundial, Lenine falando às massas, Hitler, o cogumelo atómico, o homem na Lua, centenas de outras. Mas se me pedissem para escolher a imagem que melhor o retrata, eu não hesitaria. Escolhia esta.

sábado, junho 02, 2007

Post de fim de semana

Já que este blog é suposto ser sobre coisas que nos chateiam, cá vai um dos meus ódios de estimação: ciclistas de fim de semana.

Quando, como eu, se tem de usar uma estrada nacional que vai dar à praia, tá o caldo entornado. Chega a Primavera et voilá, aparecem do nada os grupos de patetas.

Vai uma gaja de carro, atrasada para o estaminé, e zás, leva com grupos de 20 e 30 palonços, vestidos de brilhantes licras, em amena cavaqueira no meio da estrada.
Fico chateada, claro. Primeiro, agem como se a estrada fosse exclusivamente deles, depois olham com desprezo a malta que tem mesmo de ir a algum lado (será que estes gajos desconhecem que há gente que trabalha ao fim de semana???) e depois, porque, bora lá a ser sinceros e honestos…. A maioria deles está longe de ter predicados desportistas.

Hoje, então, foi particularmente dramático: tive que conduzir em segunda atrás dum trambolho com um rabo de dois metros envolto em licra verde brilhante e camisola amarelo vivo a envolver as regueifinhas. Os danos causados à minha libido estão ainda por apurar, mas suspeito serem vastos.

E não me venham dizer que as pessoas com uns kilos também têm direito a praticar desporto. Eu também tenho uns kilitos a mais e nem por isso me visto de licra justa e brilhante para acentuar a desgraça. E garanto que não tenho um rabo com metade do tamanho daquele. Um gajo daqueles devia fazer caminhadas, natação e tal: Podia até andar de bicicleta na ciclovia da praia com um fatito de treino discreto.

Agora, reunirem-se com outros gajos, engonharem o trânsito que liga duas cidades e ainda mandarem bocas aos “apressados”, que apenas querem fugir daqueles figuras brilhantes com capacetes ridículos, joelheiras fluorescentes e demais parafernália ciclista, isso já acho que é excesso de liberdade. E ainda falam da Gay Parade…

Agora, se me dão licença, vou ali ver fotos do Pierce Brosnan, para ver se me recomponho.

quarta-feira, maio 30, 2007

Tou emocionada

Estão a instalar-me a internet.

quinta-feira, maio 24, 2007

As verdadeiras intenções do ministro

Ninguém percebeu o alcance do que disse o ministro das Obras Públicas. O que ele fez foi extraordinariamente inteligente. Ao dizer que o sul do país é um deserto onde não há nada, suscitou um coro de protestos de autarcas e responsáveis da região: que não, que há sim senhor, que aquilo é riquíssimo.
E assim, de uma penada, o ministro das Obras Públicas retirou a todo o sul do país a legitimidade para reivindicar mais atenção e investimentos do Governo: eles próprios dizem que estão bem servidos de escolas, hospitais, etc.

segunda-feira, maio 21, 2007

História exemplar


MR executou satisfatoriamente todas as manobras que o examinador lhe ordenou: virar à direita, virar à esquerda - sempre respeitando o "eixo da via," - estacionar, arrancar, pisca-pisca, ter atenção aos sinais, etc. O exame de condução estava a correr bem.
No final, o examinador manda-a estacionar em "espinha" junto de outro carro. Ela estaciona um palmo mais afastada do que devia. Ele manda repetir. A manobra continua a não o satisfazer: "Tenha atenção! Pense! Não tem cabeça para pensar?" Ela enerva-se. É reprovada.
Agora tem que pagar mais 300 euros para requerer novo exame.
Mas é justo. Seria um crime ter-lhe dado a carta. Já bastam os milhares de condutores incompetentes que circulam nas estradas portuguesas, matando-se (e matando) às centenas por não saberem estacionar devidamente um carro.

quarta-feira, maio 16, 2007

Chico-espertices

A publicidade reflecte o espírito do tempo. Depois da infeliz campanha das "Novas Oportunidades," decorre por aí a campanha de um banco - o BES - em que uma série de criaturas responde a um pedido de empréstimo dizendo coisas espirituosas como "Sou verde? Tenho luzes não sei onde? Tenho não sei quê escrito na testa? Ora vá..." (cito de memória).
Sempre que vejo isto, fico incomodado. A ideia é dizer às pessoas que vão mas é ao tal banco pedir o empréstimo. Tudo bem, os bancos servem para isso. Mas incomoda-me que se celebre assim o egoísmo, a falta de compaixão e de solidariedade, a pequenina prepotência sobre quem precisa, a ironia agreste sobre alguém que, em princípio, não pede dinheiro emprestado por estar bem na vida. Aquelas personagens consagram a imagem do chico-esperto, do pequenino-burguês fechado na sua conchinha, do "não me incomodes que eu quero é o meu e tu vai-te mas é lixar."
Como é costume, hoje que a televisão comanda e nivela o pensamento, o discurso e as imagens, já comecei a ouvir, aqui e ali, gente a papaguear estas frases, por brincadeira. Mas aposto que, nas pequenas histórias de cada um, já há pessoas que as ouvem a propósito das suas necessidades reais.
Longe de mim achar que esta campanha devia ser suspensa, proibida, ou coisa do género. Apenas acho que é infeliz. A mim, estes anúncios dão-me uma ideia péssima da instituição que as faz: uma instituição que, pelos vistos, vive à custa do salve-se-quem-puder social.
Não sei se mais alguém sente isto, ou se é parvoíce ou picuinhice minha. Se for, quero lá saber. A verdade é que aqueles anúncios me deprimem.

Já agora, também me irritam aqueles anúncios na rádio em que um locutor lê a velocidade supersónica aquelas informações legais sobre o produto. Não se percebe obviamente nada, mas a lei é cumprida. É, de novo, a chico-espertice em todo o seu esplendor.

sexta-feira, maio 11, 2007

A tal da não-inscrição

Tinha começado a comentar o teu post, dear Junu. Mas como a coisa estava a ficar para o grande, passei para aqui.

Um filósofo (José Gil) que irrompeu por aí há um par de anos e esteve muito na moda (sobretudo porque o "Nouvel Observateur" disse que era um dos pensadores europeus mais originais da actualidade, o que deixou logo toda a gente excitadíssima) lançou o conceito da "não inscrição" portuguesa. Diz ele:

"Em Portugal, nada acontece, quer dizer, nada se inscreve - na história ou na existência individual, na vida social ou no plano artístico.(...)A não-inscrição não data de agora, é um velho hábito que vem sobretudo da recusa imposta ao indivíduo de se inscrever. Porque inscrever implica acção, afirmação, decisão com as quais o indivíduo conquista autonomia e sentido para a sua existência. (...) Nada tem realmente importância, nada é irremediável, nada se inscreve" ("Portugal, Hoje - O Medo de Existir").

E há dias, lembras-te? falávamos do Eduardo Lourenço e do que ele diz, por exemplo, sobre a perda do Império colonial: aquilo por que tanto havíamos lutado caíu sem emoção de maior.

"Um acontecimento tão espectacular como a derrocada de um império de quinhentos anos, cuja posse parecia co-essencial à nossa realidade histórica e mais ainda fazer parte da nossa imagem corporal, ética e metafísica de portugueses, acabou sem drama. (...)A maneira como foi vivida e deglutida pela consciência nacional é simplesmente assombrosa. Ou sê-lo-ia, se a capacidade fantástica que em nós se tornou uma segunda natureza de integrar sem problemas de consciência o que em geral provoca noutros povos dramas e tragédias implacáveis, não atingisse entre portugueses culminâncias ímpares." ("O Labirinto da Saudade").

Nos anos 60, a questão da Argélia pôs a Franca à beira da guerra civil e ainda hoje se vêem as feridas. A perda de Cuba em 1898 virou quase a Espanha do avesso, e provocou um fortíssimo movimento de renovação política e cultural, um "repensamento" geral do que era e do que poderia ser a Espanha. Por cá... Houve uns resmungos, e a coisa passou, quase como se nunca tivesse acontecido.

A nossa falta de memória colectiva tem a ver com isto - com as coisas passarem por nós sem nos marcarem demasiado. Nós, portugueses, não temos memória, temos uma vaga lembrança. Não temos História, temos saudades. Todo o povo precisa de uma imagem idealizada de si próprio. Mas a nossa não é idealizada, é irrealista. Por isso vivemos entre a glória e o descalabro, entre a euforia e o desânimo, quase sem estados intermédios que permitam que nos pensemos devidamente a nós próprios. Não pensamos. Não nos questionamos. Somos um povo completamente bipolar, para não dizer esquizofrénico.

Quem sabe se isto não terá também algumas vantagens? A "não-inscrição" talvez nos poupe a traumas que de outra forma nos teriam destruído há muito. Ainda acerca da descolonização, é espantoso como um país de dez milhões de pessoas integrou, de um dia para o outro, quase meio milhão de "retornados" (5% da população!) sem grandes problemas nem convulsões visíveis. Não estou a ver muitos países fazerem isto.

Enfim, Tout comprendre c'est tout pardonner, dizem. Mas se não encontramos um lado bom de tudo isto, ainda que pequenino, resta-nos o desespero de viver numa terra que nada exalta, nada mobiliza, nada indigna - a não ser, vagamente, o futebol. E mesmo aí, só pela rama.

quinta-feira, maio 10, 2007

A impunidade tal como ela é...

Sinceramente, estou-me nas tintas para que o Sócrates seja, ou não, Engenheiro.
O que me chateia mesmo é o engodo e as águas paradas. Ontem, li que a UnI vai funcionar por mais seis meses.

"Os cães ladram e a caravana passa".

Está bom de ver que vai cair no esquecimento, porque a memória é curta e o que é preciso é que sejamos um país de licenciados à pressão e de outras coisas sem precisão...
Parece que se vive num país que padece de Alzheimer generalizado!
( É, claro, que este foi apenas o motivo próximo para este desabafo!)

quarta-feira, maio 09, 2007

Só para dizer...

Que estou viva. Mas sem internet...
I'll be back!

(acho)

quinta-feira, maio 03, 2007

Notícias que não chateiam. Última hora:

Comi as primeiras cerejas do ano num vale do Douro.